- Não, não, minha filha, você não precisa ser afro-descendente para marchar pelos diretos humanos, no mês de Fevereiro, quando se comemora o orgulho da raça negra, nos EUA, nem mesmo ter alguém da familia com câncer de mama, para marchar e angariar fundos para pesquisa e cura. - falou dona Leda, séria e enfática. - Você é livre, entendeu? Livre. Construímos uma democracia. De-mo-cra-cia. Pode empunhar a bandeira que quiser. Luzia, minha filha, agora você pode ser homem, - riu dona Leda emancipada.
Luiza apertava os olhinhos e esfregava as mãos, afinal, seria sua primeira passeata de orgulho qualquer coisa, e mudava seu avatar da foto do Facebook para as cores do arco-iris, - mesmo que sua (dela) cor preferida nao estivesse lá representada (era uma cor terciária).
Dona Leda, que não era tão masculina assim, apesar de manter seus cabelos grisalhos e curtos depois dos 40 e nunca ter se casado, orava a cada dia em gratidão por ter escapado da sina de ser mandada para um convento, já que sua familia não era cristã - mas não necessariamente ateia. Suas primas e amigas de infância já não tiveram a mesma sorte.
Hoje, dona Leda já pensa em casamento, apesar de sua namorada, socialista convicta, achar que é tudo apenas "mais uma vitória da burguesia coxinha", essa estória de se "enforcar no altar" como dizem.

- Daqui a pouco, até o Papa modernoso vai estar abençoando esses casamentos. Não bastava apenas juntar os trapos? - perguntava aflita, Ana.
Não é má ideia. Alguns querem ate´ adotar, constituir família.
Então, meu amigo, não se envergonhe, não se acanhe. Esqueça o choro e ranger de dentes do Congresso reacionário, hipócrita e intolerante, de falsos profetas da ultima hora. Se amigos, colegas e familiares, já vestiram negro, rosa e azul e marcharam também pelos direitos de minorias, contra a violência domestica contra mulheres, direitos infantis, de minorias raciais, pela cura de várias doenças, faça o mesmo, por solidariedade e por você, também, ter personalidade própria. Não é moda, não é entreguismo. é apenas um bolero -dois prá lá, dois prá cá- da dança humana e imperfeita em direção á paz e felicidade.
Abraços.
bom dia!
26/5/2015


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