sábado, 14 de outubro de 2017

"POR QUE NÃO SE LÊ POESIA?

"POR QUE NÃO SE LÊ POESIA?


[Fabrício Carpinejar, via prof. Milton Maciel, ]


-------"Há o julgamento informal de que poesia é perda de tempo. Tendo lançado até agora dois livros, não cheguei ao ponto de receber os pêsames, mas não falta muito para isso. Até porque o poeta é identificado como um defunto comercial e nunca será de bom tom dar as condolências ao próprio falecido. Mas, afinal, por que todo esse preconceito quando o assunto é poesia?

------ A resposta mais fácil estaria na baixíssima taxa de compra de livros no Brasil. O índice é de 0,8 livro não-didático por habitante/ano. Como ninguém leva um livro pela metade, não se chega a adquirir um volume inteiro, ficando longe de países como os Estados Unidos (sete livros por habitante/ano). Sobrariam para os versos as migalhas. O Prêmio Jabuti de Literatura, o mais importante do país, concedido pela Câmara Brasileira do Livro, seria outra prova desse desinteresse. Nesse ano, apenas 63 livros foram inscritos na categoria poesia, 40 a menos dos 103 inscritos no ano passado. 

------- Nas livrarias, a seção de poesia dorme em algum canto obscuro, longe do alcance da visão dos leitores.
Todos esses dados seriam suficientes para indicar que o brasileiro não gosta de poesia. Será? O curioso é que boa parte das pessoas costuma iniciar-se na literatura por meio da poesia, seja em cartas, seja em cantadas extraliterárias para conquistar alguém. Mas o adolescente que se empenha em comover seu par é o mesmo que acha difícil a interpretação poética. Esse é o paradoxo: os poemas são considerados fáceis de fazer e complicados de ler. Como isso? Para muitos jovens, ainda vigora uma ideia romântica de criação. Poesia é pura inspiração, acessório para colocar em cabeçalhos de agenda. Faz parte do kit básico de sedução, ao lado das flores e do ursinho de pelúcia dado para a namorada. 

------ Esse adolescente é o mesmo que tem horror à obriga-toriedade de ler os chamados poetas clássicos nas aulas de literatura – tudo para conseguir passar no vestibular. Aprende datas, o nome dos movimentos, mas não se inspira na leitura dos autores. O conjunto é resumido nos esquemas das escolas literárias e o texto em si termina relegado a um papel secundário. Toda a trajetória de um escritor é abreviada a uma fria questão de vestibular.
------ Sobretudo, o sujeito aprende que todos os bons poetas fazem parte do passado, culminando com a geração modernista de 1922 e uns poucos da primeira metade do século XX. Você já percebeu que não há praticamente NENHUM poeta consagrado desde então, conhecido e lido como Drummond ou João Cabral? 

------ Por que poesia virou mercadoria que todo mundo tem para vender mas ninguém quer comprar? Como foi que os leitores perderam o interesse pela poesia? Desconfio que a resposta esteja no fato de que os próprios poetas tenham perdido o interesse pelos leitores. 

------ A poesia como um exercício de linguagem, fria, escrita para agradar os professores de semiótica, torna-a cada vez mais distante do interesse dos leitores.
------ Enquanto a poesia narrava uma história, era capaz de ser atraente, compreensível e proporcionar entretenimento, os poetas eram populares.
------ E isso não era sinônimo de sentimentalismo barato, como o ato de despejar emoções no papel sem uma preocupação com a estrutura. O poeta era o equivalente a um músico, que tocava palavras como cordas de um violão.
------ Não é à toa que foi na melhor MPB que os jovens continuaram procurando versos que não encontram na chamada poesia contemporânea. 

------ Fora daí, ela passou a ser encarada de duas formas: a sentimentalista, à base de trocadilhos fracos, ou a acadêmica, difícil, culta, que atende a interesses universitários e não chega aos ouvidos da gente.
------ Para sair desse impasse, talvez seja a hora de os poetas voltarem a contar histórias.
------ É preciso fugir da armadilha que impõe que a boa poesia seja um exercício de linguagem e que qualquer poeta disposto a narrar a vida das pessoas seja etiquetado como menor. 

------ Não foi o público de poesia que desapareceu, como querem alguns teóricos da literatura. O que desapareceu foi a poesia em contato com a vida das pessoas. Talvez ela esteja adormecida, esperando que alguém traga de volta o simples prazer de ler um poema."

(Fonte: Revista Super Interessante)
Fabrício Carpinejar é jornalista e poeta, autor de Terceira Sede e Um Terno de Pássaros ao Sul, ambos pela editora Escrituras.

DESTAQUES:
“Não foi o leitor que abandonou a poesia. Foi o poeta que abandonou o leitor”
"Sobretudo, o sujeito aprende que todos os bons poetas fazem parte do passado, culminando com a geração modernista de 1922 e uns poucos da primeira metade do século XX. Você já percebeu que não há praticamente nenhum poeta consagrado desde então, conhecido e lido como Drummond ou João Cabral?"

terça-feira, 15 de setembro de 2015

A CERIMÔNIA DO ADEUS

Sartre, Simone e a Despedida de Saturno por Escorpião



A primeira vez que ouvi a frase foi numa apresentação de teatro, da montagem da peça de Mauro Rasi na década de 90, por Marcos Frota,  pois um amigo meu fazia parte do elenco. Gostei tanto que assisti varias vezes, também pudera, tinha convites.




A peça fazia menção ao casal Simone de Beauvoir   Jean Paul Sartre.  Ela escreveu um livro com o mesmo nome para homenagear os último anos de Sartre, de quem foi amiga, companheira, e amante por longos anos naquela Paris encantadora, pré redes socais.















Nesta semana em que o planeta Saturno, do ponto de vista geocêntrico (aqui de casa) se prepara para deixar definitivamente o signo fixo de água do Escorpião (o temível), esta frase me volta à mente.  Escorpião, assim com Saturno e Marte, desde sempre considerados "maléficos" pelas mentes medrosas, não veste de luto por alguma perda. Este momento só se repte a cada 28-30 anos, e quem nao chega aos 60, [tanta gente! porém não tão raro] não os vive duas vezes (como na antiguidade e Idade Media em que a maioria não vivia por tanto tempo, devido às condições de higiene e saúde, alimentação, guerra, etc.] Este bem marcada no inconsciente coletivo e ainda mete mede. [está ligado a assuntos da casa onde você tem o final de Escorpião, de acordo com sua hora de nascimento]. (**)




Toda despedida é luto, toda perda é morte. Não há como escapar. Mas é uma dor que faz crescer, como a cura de uma dor de dente por sua extração, como podar árvores e arbustos e limpar gavetas e túmulos



Muitos astrólogos pensam que essa época, mais que outros similares, resulta na remoção, espontânea ou não, de coias e pessoas ou hábitos de nossas vidas, talvez pra sempre. Pode ser  amizades e amantes, , empregos, residencias, dinheiro, patrimônios, vícios, apegos,  mágoas. A unica certeza é que nada disso serve mesmo ao propósito da alma e nosso crescimento psicológico, se tornou tóxico e confortável demais.



Dia 17/9 será este dia. prepare sua cerimônia do adeus (*) e não olhe para trás.  Faça um ritual, mental ou real, mude alguma coisa na sua rotina, modo de vestir, decoração, etc...que lembre a você diariamente que algo mudou. Ajuda. Tome floral de Bach [Walnut ou Rescue] ajuda. E abra espaço para o novo.



(*) no filme MUNDO NOVO, a índia americana Pocahontas, toma um banho de cinzas para finalizar um luto de viuvez, e chora até a exaustão; depois de um banho, está limpa  pronta para outro amor. História real..

(**) para saber mais sobre a astrologia do adeus, visite: www.astrokabana.com.br

sábado, 27 de junho de 2015

Além do Arco-Íris


- Não, não, minha filha, você não precisa ser afro-descendente para marchar pelos diretos humanos, no mês de Fevereiro, quando se comemora o orgulho da raça negra, nos EUA,  nem mesmo ter alguém da familia com câncer de mama, para marchar e angariar fundos para pesquisa e cura. - falou dona Leda, séria e enfática. - Você é livre, entendeu? Livre. Construímos uma democracia. De-mo-cra-cia. Pode empunhar a bandeira que quiser. Luzia, minha filha, agora você pode ser homem, - riu dona Leda emancipada.

Luiza apertava os olhinhos e esfregava as mãos, afinal, seria sua primeira passeata de orgulho qualquer coisa, e mudava seu avatar da foto do Facebook para as cores do arco-iris, - mesmo que sua (dela) cor preferida nao estivesse lá representada (era uma cor terciária).

Dona Leda, que não era tão masculina assim, apesar de manter seus cabelos grisalhos e curtos depois dos 40 e nunca ter se casado, orava a cada dia em gratidão por ter escapado da sina de ser mandada para um convento,  já que sua familia não era cristã - mas não necessariamente ateia.  Suas primas e amigas de infância já não tiveram a mesma sorte.

Hoje, dona Leda já pensa em casamento, apesar de sua namorada, socialista convicta, achar que é tudo apenas "mais uma vitória da burguesia coxinha", essa estória de se "enforcar no altar" como dizem.


- Daqui a pouco, até o Papa modernoso vai estar abençoando esses casamentos. Não bastava apenas juntar os trapos? - perguntava aflita, Ana.

Não é má ideia. Alguns querem ate´ adotar, constituir família.

Então, meu amigo, não se envergonhe, não se acanhe. Esqueça o choro e ranger de dentes do Congresso reacionário, hipócrita e intolerante, de falsos profetas da ultima  hora. Se amigos, colegas e familiares, já vestiram negro, rosa e azul e marcharam também pelos direitos de minorias, contra a violência domestica contra mulheres, direitos infantis, de minorias raciais, pela cura de várias doenças, faça o mesmo, por solidariedade e por você, também, ter personalidade própria. Não é moda, não é entreguismo. é apenas um bolero -dois prá lá, dois prá cá- da dança humana e imperfeita em direção á paz e felicidade.

Abraços.
bom dia!
26/5/2015